sábado, outubro 15, 2011

no caminho triste do que ainda é talvez...


_ sozinhez é o ventre do mundo _



[Para o Poeta Álvaro Alves de Faria]

no ossuário da paixão
nasce o poema como argamassa
molhando meus passos como se orvalho soturno

molha as palmas das palavras
molha as pálpebras da escrita

molha-me....
como se chuva ao girassol  

da morte da semente
nasce o poema em sua lápide
olhando meus olhos como se um canto funebre
vagarosamente, como quem tem algo nas mãos
e já não tem nada

olha-me...
como se em prece aos lírios findos
queda-me:
-eu cavo, eu rezo, eu fio

no caminho triste do que ainda é talvez
em réquiem, eu fuso:
[- sozinhez é o ventre do mundo!]

nAnadeabrãomerij

Um comentário:

  1. Nana, minha querida amiga, sou suspeita para dizer, pq. minha admiração e afeto por vc. vai além das palavras, mas a cada dia mais me surpreendo com a beleza de sua poesia. É um descortinar do mais completo mundo mágico -onde reside o lirismo.
    Bjs, de Valentina

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Obrigada!
nanamerij